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El Niño muito forte até 2027: como planejar a aplicação com drone na safra 2026/27
O MAPA lançou em 2 de outubro de 2026 uma página com o INMET sobre o El Niño: chuva demais no Sul, calor e seca no Centro-Sul. Veja o que muda para quem aplica com drone e para quem contrata.
Neste artigo · 8 partes
- O que o MAPA e o INMET dizem sobre o El Niño na safra 2026/27
- Por que a janela de aplicação encurta
- Calor, umidade e vento: o que a calda sente antes do drone
- Como planejar a semana com a previsão e os avisos do INMET
- Revisão antes do pico e equipe para a demanda concentrada
- Onde a Drone Sense entra
- Perguntas frequentes
- Fontes
O que o MAPA e o INMET dizem sobre o El Niño na safra 2026/27
Em 2 de outubro de 2026, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) lançou, em parceria com o INMET, uma página que reúne o que o produtor precisa acompanhar sobre o El Niño na safra 2026/27: avisos meteorológicos, previsão do tempo para as capitais, notas técnicas, o Painel El Niño, tecnologias da Embrapa e as regras de crédito rural, seguro rural (PSR), Zarc e Plano Safra. Para quem aplica com drone agrícola, o recado prático é um só: a janela de aplicação vai ser mais curta e mais irregular do que o normal.
O quadro por região, segundo o MAPA, é este: excesso de chuva no Sul, seca moderada e temperaturas altas no Centro-Sul, risco de seca no norte do Sudeste e estiagem no Nordeste e no Norte. A página faz parte de uma força-tarefa de ministérios coordenada pela Casa Civil e traz as ações do grupo de trabalho criado pelo MAPA para acompanhar o fenômeno, que já entregou o relatório final ao ministro.
A intensidade vem do Painel El Niño 2026-2027, boletim nº 4, de setembro de 2026, que o INMET assina com INPE, ANA, Cemaden, SGB, Sedec e Censipam. O El Niño foi confirmado em junho de 2026, e os modelos dão 100% de probabilidade de que ele dure até pelo menos o início de 2027. Para outubro, novembro e dezembro, a previsão da NOAA citada no boletim aponta probabilidade superior a 95% de um evento muito forte, com chance de ser o mais intenso desde 1950.
Para o trimestre, a previsão do CPTEC/INPE, do INMET e da Funceme indica chuva acima da faixa normal no Sul, em parte do Sudeste e no leste do Nordeste; chuva abaixo da normal em grande parte do Norte e em áreas do Nordeste e do Centro-Oeste; e temperatura acima da normal em quase todo o país, com exceção do extremo sul do Rio Grande do Sul. A estação chuvosa na porção central do Brasil deve começar entre o fim de outubro e meados de novembro.
Por que a janela de aplicação encurta
Drone agrícola trabalha dentro de uma faixa de clima. Chuva demais tira dias do calendário; calor e ar seco tiram horas do dia. O El Niño faz as duas coisas ao mesmo tempo, em regiões diferentes.
No Sul, o boletim do INMET aponta que o excesso de umidade pode aumentar as doenças fúngicas no trigo, atrasar a colheita e dificultar a semeadura da soja. Mais doença é mais fungicida, e fungicida com chuva no radar precisa entrar antes da água. A Embrapa, na orientação para a região, recomenda acompanhar todo dia os boletins do INMET, do CPTEC/INPE e do Cemaden para planejar pulverizações e colheitas; para a uva, por exemplo, o fungicida deve entrar de forma preventiva, antes da chuva.
No Centro-Oeste, o mesmo boletim prevê chuva abaixo da média e calor no centro-norte de Mato Grosso, no norte de Goiás e no Distrito Federal, com recuperação da água no solo a partir de novembro. Em dezembro, o excesso de umidade em algumas áreas pode elevar o risco de doenças fúngicas e limitar as operações de pulverização, segundo o INMET. A Embrapa, na página da região, fala em máximas frequentes entre 35 °C e 40 °C, com umidade baixa, e em pico de severidade entre novembro e janeiro.
O efeito para quem presta serviço é a concentração. Os talhões que ficaram esperando a chuva chegar, ou esperando a chuva parar, chegam à mesma fase na mesma semana, e os chamados vêm em bloco. É o movimento que o plantio adiantado da soja 2026/27 já mostrou em outubro, só que agora com menos dias bons para fazer o serviço.
“O acompanhamento das condições locais será essencial para orientar o planejamento da safra 2026/27.”
Calor, umidade e vento: o que a calda sente antes do drone
Quem define o limite da aplicação é a gota, antes do drone. A Circular Técnica 73 da Embrapa Uva e Vinho, de abril de 2007, mostra o que o ar faz com a calda: vento, temperatura e umidade agem direto sobre a pulverização, com mais força nas gotas menores. Quanto mais quente e seco o ar, mais rápido a gota evapora e menos distância ela percorre antes de sumir.
A 20 °C com 80% de umidade, uma gota de 100 micrômetros dura 57 segundos e cai 8,5 metros antes de evaporar. A 30 °C com 50% de umidade, dura 16 segundos e cai 2,4 metros. No mesmo documento, o depósito nas folhas caiu de 100% para 83% quando a umidade foi de 76% para 58% e a temperatura subiu de 24 °C para 28 °C. É por isso que a tarde de calor do Centro-Oeste sob El Niño vale menos do que o dia inteiro de uma safra normal.
- Vento. A Embrapa chama o vento de fator mais crítico da deriva e recomenda pulverizar com vento entre 3 e 9 km/h. A ficha técnica do DJI Agras T70P, no site da DJI, dá resistência máxima a vento inferior a 6 m/s, cerca de 22 km/h. O drone ainda voa em vento em que a calda já não deveria sair.
- Calor. A DJI especifica temperatura de operação de 0 °C a 40 °C para o T70P. Com máximas previstas entre 35 °C e 40 °C no Centro-Oeste, o meio do dia sai da conta e a janela fica para o começo da manhã e o fim da tarde.
- Bateria. A bateria desce quente do voo e, no calor, demora mais para esfriar antes da carga seguinte. O rodízio de baterias e a sombra entre ciclos estão no nosso guia de cuidados com a bateria do drone agrícola.
- Chuva depois da aplicação. Cada produto tem um intervalo mínimo sem chuva, que está na bula. Com pancada no fim da tarde, esse intervalo decide se a aplicação da manhã valeu ou vai ser repetida.
Como planejar a semana com a previsão e os avisos do INMET
A página do MAPA aponta para dois endereços do INMET que cabem na rotina de quem aplica. A previsão do tempo traz chuva, temperatura, umidade relativa e vento para os próximos dias. Os avisos meteorológicos saem quando há previsão de fenômeno perigoso, com a área, o período de validade e o nível de severidade. O boletim de setembro reforça que os dois se atualizam de forma contínua, conforme o tempo evolui.
- Previsão de três dias, toda noite. Olhe chuva, temperatura máxima, umidade e vento por período do dia, para a cidade do talhão. É dali que sai a fila do dia seguinte.
- Avisos ligados. Acompanhe os avisos do INMET para a sua região. Aviso de tempestade ou de vento forte muda a ordem dos talhões antes de o céu mudar.
- Fila por urgência, não por distância. Fungicida preventivo com chuva prevista vai na frente. Aplicação que tolera mais um dia espera. Combine isso com o produtor, não decida sozinho.
- Horário pela temperatura e pela umidade. Comece cedo e pare quando o ar esquentar e secar. No fim da tarde, retome se o vento deixar.
- Plano B combinado. Deixe claro com o cliente o que acontece se a janela fechar: outro dia, outro talhão ou outra equipe. Serviço combinado antes evita conversa difícil depois.
Para o produtor, a mesma página do MAPA lembra o que condiciona crédito, Proagro e PSR: seguir o Zarc, com o aplicativo Zarc Plantio Certo da Embrapa. Nas orientações por região, o ministério recomenda escalonar a semeadura e reforçar a drenagem no Sul e monitorar o estresse térmico e hídrico no Sudeste e no Centro-Oeste. Semeadura escalonada é demanda de aplicação escalonada, o que ajuda quem presta serviço a não receber tudo na mesma semana.
Revisão antes do pico e equipe para a demanda concentrada
Quando a janela encurta, cada hora de drone parado custa mais. A revisão pré-safra do DJI Agras resolve em outubro o que a chuva não deixaria resolver em novembro: motores, bombas, bicos, vedações, hélices e o estado de saúde das baterias. Peça de desgaste na caminhonete, como hélice, bico e filtro, segura o dia quando a janela abre. Quem opera frota faz a conta multiplicada: um drone na bancada por vez, antes do pico.
O segundo gargalo é gente. Chamados em bloco pedem mais piloto na mesma semana. Quem presta serviço combina o reforço antes; quem contrata fecha o serviço antes do pico, com hectares, cultura e datas combinadas, e não disputa agenda quando a janela abre.
Onde a Drone Sense entra
A Drone Sense é revenda e assistência autorizadas DJI em Ribeirão Preto (SP). Na assistência, o DJI Agras passa pela revisão antes do pico, com peças de reposição e técnicos que trabalham nesses drones o ano inteiro. A ideia é entrar na janela de novembro e dezembro com o drone pronto, e não descobrir o problema no primeiro dia bom de aplicação.
Para cobrir a demanda concentrada, a Rede Drone Sense reúne pilotos, prestadores de serviço e empresas do agro. O produtor busca profissional por cidade, estado ou especialidade; o piloto publica a cidade-base, a frota que opera e as operações que já fez. Quem precisa de reforço numa semana de janela aberta encontra quem está perto.
Para quem quer entrar na profissão a tempo da janela de verão, o Curso de Piloto de Drone Agrícola junta o estudo online com 2 dias de prática no DJI Agras, com o CAAR incluso e registrado no MAPA.
O INMET atualiza o Painel El Niño todo mês, e a página do MAPA concentra os avisos e as orientações num lugar só. O que já dá para fazer nesta safra é tratar o clima como parte do planejamento: previsão e avisos na rotina, drone revisado antes do pico e equipe combinada antes de a janela abrir.
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O El Niño vai ser forte na safra 2026/27?
Em que condições de clima dá para aplicar com drone agrícola?
Como acompanhar a previsão e os avisos do INMET para a aplicação com drone?
O que revisar no drone antes do pico da safra sob El Niño?
Onde encontrar piloto de drone quando a demanda se concentra?
- MAPA. Mapa lança página com informações e orientações sobre os impactos do El Niño no agro, notícia de 2/10/2026: parceria com o INMET, o que a página reúne, previsões por região, força-tarefa de ministérios coordenada pela Casa Civil, relatório final do GT recebido pelo ministro.
- MAPA. El Niño Agro (página da campanha), orientações aos produtores (Zarc, Zarc Plantio Certo, seguro, semeadura escalonada e drenagem no Sul, estresse térmico e hídrico no Sudeste e Centro-Oeste), links para a previsão e os avisos do INMET.
- INMET, INPE, ANA, Cemaden, SGB, Sedec e Censipam. Painel El Niño 2026-2027, Boletim Mensal nº 4, setembro de 2026, p. 2 (confirmação em junho, 100% até início de 2027), p. 5 (NOAA: >95% de evento muito forte em OND, mais forte desde 1950), p. 13 (previsão OND por região), p. 15-16 (agropecuária por região), p. 20 (avisos do INMET), p. 25 (citação).
- Embrapa. El Niño no Brasil: manejo e mitigação de riscos, Região Sul, acompanhar diariamente os boletins do INMET, CPTEC/INPE e Cemaden para planejar pulverizações e colheitas; fungicida preventivo antes das chuvas na viticultura; pico de novembro de 2026 a janeiro de 2027.
- Embrapa. El Niño no Brasil: manejo e mitigação de riscos, Região Centro-Oeste, máximas frequentes entre 35 °C e 40 °C com umidade baixa; pico de severidade da seca de novembro a janeiro, com chuva abaixo da média em MT, GO e DF.
- Embrapa Uva e Vinho. Circular Técnica 73: Tecnologia para aplicação de produtos fitossanitários em videira, Souza e Palladini, abril de 2007. Tabela 1 (vida e queda das gotas, Matthews, 1992), Fig. 1 (depósito de 100% a 83% em folhas de macieira, Palladini e Souza, 2004), vento como fator mais crítico da deriva, faixa de 3 a 9 km/h.
- DJI. DJI Agras T70P, especificações, resistência máxima ao vento inferior a 6 m/s; temperatura de operação de 0 °C a 40 °C.
- DJI. DJI Agras T50, especificações, resistência máxima ao vento de 6 m/s.